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domingo, 17 de julho de 2011

Como Formatar em NTFS no Linux (HD Externo, Partições, Pen Drive, etc.)?

Se você tem um pen drive, HD externo, um segundo HD, ou qualquer dispositivo que queira formatar, então esta dica é pra você!! Porém, cuidado: antes de usar estas técnicas abaixo, faça backup dos seus dados!!


  • Verificando as Partições de um Dispositivo

Uma maneira simples de verificar quais são as partições de um dispositivo (ex.: um HD externo) é usando o comando mount, conforme mostrado em nossa dica Como Copiar Arquivos Grandes no Linux?. Porém, outras maneiras são:

1- usando o programa GParted
Esta é uma forma gráfica de ver como estão particionados e quais as partições de todos os seus dispositivos de dados. Para instalar o gparted no Ubuntu, por exemplo, basta digitar, como root:

apt-get install gparted

Pelo GParted é possível se formatar uma partição. Basta se clicar com o botão direito sobre ela e se escolher a opção Format to, seguida do sistema de arquivos desejado. Evidentemente, a partição deve estar desmontada para que seja formatada.


2- Com o comando fdisk

O comando fdisk é um programa antigo e bem versátil para operações com partições e discos. Funciona em modo texto. Suponhamos que seu dispositivo externo esteja em /dev/sdb. Para analisá-lo, chame o fdisk com o comando no terminal:

fdisk /dev/sdb
Comando (m para ajuda):

A partir daqui você está na linha de comando do fdisk. Uma lista geral de todos os comandos pode ser obtida pela letra m. Para ver as partições deste dispositivo, pressione p.

Comando (m para ajuda): p

Disco /dev/sdb: 1000.2 GB, 1000204886016 bytes
255 heads, 63 sectors/track, 121601 cylinders
Unidades = cilindros de 16065 * 512 = 8225280 bytes
Sector size (logical/physical): 512 bytes / 512 bytes
I/O size (minimum/optimal): 512 bytes / 512 bytes
Identificador do disco: 0x796bfcfc

Dispositivo Boot Início Fim Blocos Id Sistema
/dev/sdb1   *           1      121601   976760000+   c  W95 FAT32 (LBA)

Comando (m para ajuda):

Observe que este comando mostra dois blocos: o primeiro, com detalhes do dispositivo. O segundo, com detalhes das partições. No caso acima, temos uma partição única de quase 1TB em sistema de arquivos FAT32, começando no cilindro 1 e terminando no cilindro 121.601.
Se é só isso que você quer, pode sair do programa fdisk, pressionando a letra q.


  • Apagando uma Partição e Reformatando-a

Suponho que, a partir daqui, a partição que você quer manipular está desmontada. Caso não esteja, vá para o terminal, como root, e use o comando:

umount /dev/sdb1
Troque o /dev/sdb1 pela partição desejada.


1- Com o GParted

Não é preciso apagar a partição diretamente, ele já fará isso quando a reformatação for solicitada. Basta seguir o procedimento indicado lá em cima: clicar com o botão direito sobre a partição desejada e se escolher a opção Format to, seguida do sistema de arquivos desejado. Cuidado: esta operação pode demorar, de acordo com o tamanho da partição.


2- Com o comando fdisk

Por este meio é mais manual, mas é bem fácil. Primeiramente, vamos apagar a partição desejada, usando a letra d:

Comando (m para ajuda): d
Partição selecionada 1

Comando (m para ajuda):

Agora o disco está sem partições. Vamos criar uma nova partição, usando o comando n. Como é a primeira e única partição do disco, ela será a partição primária (use, na pergunta, a letra p); de outro modo, deverá ser uma partição estendida (use, na pergunta, a letra e). Indique o primeiro e último cilindros da partição. Se você quer o disco todo, pode usar os valores padrões (apenas tecle ENTER); de outra forma, digite o primeiro e último cilindros nas perguntas correspondentes. Faça o cálculo de quanto espaço cada partição terá baseado nos valores de bytes contidos em cada faixa de cilindros (o comando p, acima, diz quantos bytes tem em 1 cilindro):


Comando (m para ajuda): n
Comando - ação
   e   estendida
   p   partição primária (1-4)
p
Número da partição (1-4): 1
Primeiro cilindro (1-121601, padrão 1):
Usando valor padrão 1
Last cilindro, +cilindros or +size{K,M,G} (1-121601, padrão 121601):
Usando valor padrão 121601

Comando (m para ajuda):

Agora sua partição está quase pronta!! Falta dizer qual o tipo de partição. Para tanto, use a letra t. Existem dezenas de tipos de sistemas de arquivos diferentes suportados pelo fdisk (na verdade, pelos drivers do kernel e pelas ferramentas de utilitários destes drivers que estão instaladas no momento). Para ver a lista completa e escolher qual deles você quer, digite L maiúsculo na pergunta e verifique qual o seu código numérico. Para adiantar, posso informar que o tipo NTFS é código 7.

Comando (m para ajuda): t
Partição selecionada 1
Código hexadecimal (digite L para listar os códigos): 7
O tipo da partição 1 foi alterado para 7 (HPFS ou NTFS)

Comando (m para ajuda):

Agora basta efetivar todas estas alterações e sair do fdisk, usando a opção w, que escreve todas as alterações no dispositivo.

Comando (m para ajuda): w
A tabela de partições foi alterada!

Finalmente, precisamos agora formatar a partição. Cuidado: dependendo do tamanho da partição e do dispositivo, esta operação pode demorar bastante tempo!!
Para formatar a partição, use a ferramenta de formatação própria do sistema de arquivos escolhido, seguida pelo caminho da partição. Para o caso do NTFS, use:

mkntfs /dev/sdb1
(cuidado, não é mkntfs /dev/sdb! Indique a partição correta!)

Para outros sistemas de arquivos, existem formatadores equivalentes, como: mkfs.ext2, mkfs.ext3, mkfs.ext4, mkfs.minix, mkfs.msdos, mkfs.vfat, etc.
Quando tudo terminar, o comando irá mostrar uma linda mensagem de sucesso:
 
Initializing device with zeroes: 100% - Done.
Creating NTFS volume structures.
mkntfs completed successfully. Have a nice day.


  • Renomeando uma Partição NTFS

Agora que você acabou de criar uma partição NTFS nova, ela precisa de um nome. Inicialmente, ela é batizada com um número feio. Pode até ficar assim, mas convém mudá-lo. Para renomear uma partição NTFS usando Linux, ela precisa estar desmontada. Certamente estará, se acabou de ser criada. Agora basta digitar, ainda como root:

ntfslabel /dev/sdb1 NovoNome

Onde /dev/sdb1 é a partição (não é /dev/sdb, cuidado!!) e NovoNome é o nome válido que você escolheu para ela.


  • Conclusão

Este breve artigo procura ensinar duas técnicas diferentes de formatação de partições, que podem ser utilizadas em diferentes situações, desde pen drives até discos rígidos externos ou secundários. Tenha cuidado ao reformatar uma partição, pois seus dados serão perdidos, além do que ela pode demorar bastante tempo, o que requer planejamento. Lembre-se de que a reformatação não conserta defeitos físicos no disco, mas na verdade pode vir a escondê-los!! Para aprender como solucionar este tipo de problema, visite nosso outro artigo: Como recuperar partição Reiserfs com bad blocks?.

Boa sorte!! Espero ter ajudado!! Qualquer coisa, COMENTEM!!

sábado, 16 de julho de 2011

Como Copiar Arquivos Grandes no Linux?

Imagine que você precisa copiar um arquivo bem grande (ou de tamanho que consideramos bem grande para os dias de hoje, quando escrevo), algo em torno de vários gigas. Pode ser um dump geral de seu banco de dados, um arquivo de log gigantesco, um arquivo temporário ou um filme em Blue Ray. Pode ser que a cópia de backup deste arquivo falhe ou a escrita para ele comece a falhar a partir de certo ponto... o que fazer??
Calma, o Pajé tem a solução!!


  • Cópia em Ambiente Linux

Se você usa um sistema de arquivos moderno, como o ext4, então você poderá escrever vários gigas num mesmo arquivo. Se sua cópia ou escrita falhar, tente verificar se existe algum limite pré-definido de escrita, usando o comando:

$ ulimit
unlimited

Se a resposta for a que mostro aí em cima (unlimited), então não há limite para a sua cópia. De outra forma, pode haver limite. Daí, para redefinir o limite, basta usar este mesmo comando, passando o novo valor após o argumento -f:

$ ulimit -f [valor]

Para um tutorial completo sobre limites de escrita, uso e cotas de usuários, visite este endereço.


  • Cópia pela Rede, para Pen-Drives, HDs Externos ou Outros Dispositivos

Agora realmente a coisa muda de figura!! Você está tentando copiar um arquivo que está em um sistema de arquivos Linux para um dispositivo que provavelmente tem seu próprio sistema de arquivos, não necessariamente aquele que você usa na máquina de origem do arquivo. Lembre-se de que um sistema de arquivos é um banco de dados, e que cada tipo tem seus próprios limites.
Se você está copiando para outro dispositivo, verifique qual o sistema de arquivos que ele usa com este comando (claro, presumindo que o dispositivo esteja montado e acessível!!):

$ mount
(....)
/dev/sdb1 on /media/HDExterno type vfat

O comando acima vai mostrar tudo que está montado em seu sistema (a maioria não interessa neste momento, então coloquei estas saídas no formato de "(...)", para ficar mais fácil de entender). Porém, uma das linhas da saída vai se reportar ao dispositivo externo. No caso acima, é um HD Externo, que é acessível em /dev/sdb1 e está montado em /media/HDExterno. Observe que o tipo de sistemas de arquivos é vfat, ou seja, possivelmente um FAT32.
O sistema de arquivos FAT32 (vfat) é o pior que tem: um sistema antigo, limitado e muito simples. Porém, exatamente dada a sua simplicidade, ele é facilmente acessível e montável em ambientes os mais diferentes, desde Linux e MAC até Rádios (CD Players), TVs, DVD Players, CD Players de carros e aparelhos de som.
Notem que o HD Externo acima está formatado em FAT32. Pelas características deste sistema de arquivos, não é possível gravar nenhum arquivo maior que 4GB (na verdade, um byte antes de 4GB de tamanho). Não adianta, quantas vezes você tentar, vai falhar...


  • Achando a Solução para o Caso Acima

Se o seu caso é este acima, então tente fazer uma destas soluções:

1- Reformatar o HD com outro sistema de arquivos, como o NTFS (para ter compatibilidade com Windows) ou mesmo os sistemas do Linux, como ext4, ReiserFS, etc. Claro, isto implica em fazer backup de tudo que tem nele, apagar o HD Externo totalmente e reformatar. Porém, se você precisa muito gravar um arquivão de mais de 4GB, que pode ser seu precioso banco de dados ou o Log de seu sistema, então vale a pena o esforço!!

2- Uma alternativa, é usar o comando split, que quebra o arquivo em vários pedaços definidos por você. Depois desta quebra, o original pode ser apagado e os pedaços, em menor tamanho, podem ser gravados sem problemas. Fique tranqüilo, pois eles podem ser remontados sempre que necessário, usando o comando cat. Excede o escopo deste tutorial explicar detalhadamente como eles funcionam, mas a documentação dos mesmos é bem clara e certamente você conseguirá usá-los bem (digite "man split" e "man cat" para ver a página do manual de cada um)!!

3- Existem compactadores muito bons que conseguem reduzir em grande parte o tamanho dos arquivos. Muitos deles, como o rar, suportam não só a compactação como também a quebra do arquivo compactado em arquivos menores e de mesmo tamanho. Muitas vezes, você pode usar mais de um compactador, como a combinação do tar com o gzip ou bzip2. Se você pretende fazer backup, recomendo sempre compactar os dados e, claro, você pode fazer um script para te ajudar nesta tarefa um tanto quanto enfadonha.

Bom, pessoal, por hoje é isso... espero ter ajudado!!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Limpando Virus de Partições Windows com ClamAV

Imagine os seguintes cenários:

1- Você tem uma máquina com 2 partições, uma Windows e outra Linux. Forçado a usar o horripilante Windows, você pega um virus... e agora, o que fazer??
2- Seu amigo te liga desesperado: a máquina Windows dele pegou um virus e agora está funcionando muito mal... e agora, o que fazer??

Não se desespere!! O linux tem uma solução para isso: um anti-virus eficiente, fácil de usar, gratuito e leve chamado ClamAV. O ClamAV foi desenvolvido para servidores e é capaz de verificar partições inteiras, arquivos de rede, arquivos anexados em e-mail antes de serem entregues, dentre outras funcionalidades. Claro que o Linux não pega virus, mas o Windows pega, e, muitas vezes, o ClamAV pode salvar a sua pátria!! Mas minha máquina não é um servidor!! Calma... o ClamAV é flexível o suficiente para funcionar bem em máquinas simples e até laptops!!

  • Solução do Problema
Para o cenário 1, você tem que entrar na partição Linux, que vai estar intacta, e instalar o ClamAV. Para o cenário 2, você pode dar um boot com o DVD do Ubuntu (ou qualquer outra distro que inicie pelo CD, DVD ou pendrive), que vai carregar o Linux na memória sem alterar o HD (todo tomado de Windows e viri), e instalar o ClamAV. Note que, mesmo se a máquina não possui Linux, é possível dar um jeito!!

  • Instalando o ClamAV

É simples e depende de sua distribuição. Na maioria das vezes, ele existe no repositório e pode ser instalado com seu programa de instalação normal ou um gerenciador de pacotes, como o Synaptic. Em distribuições baseadas em Debian, como o Ubuntu, basta digitar, como root:

apt-get update
apt-get install clamav

Pronto!! Tudo instalado!!

  • Atualizando o Banco de Dados

Pode não ser necessário, mas geralmente você tem que buscar os dados mais brilhantemente novos de viri que o pessoal do ClamAV conseguiu identificar e disponibilizar. Quem atualiza estes dados é uma ferramenta chamada freshclam. Para atualizar, basta simplesmente digitar o nome da ferramenta, como root:

freshclam
ClamAV update process started at Wed Jan 27 09:45:08 2010
main.cld is up to date (version: 51, sigs: 545035, f-level: 42, builder: sven)
daily.cld is up to date (version: 10335, sigs: 158617, f-level: 44, builder: guitar)

Note que, como o ClamAV é feito para servidor, provavelmente, ao instalar, ele colocou o freshclam como um serviço. Se isso aconteceu, a atualização será feita automaticamente, sem você sequer perceber. Para verificar se ele entrou como serviço, basta digitar:

ps -e | grep fresh
2573 ? 00:00:00 freshclam

Viu?? Tá ele lá, no PID 2573, rodando!! Mas, como eu sei que ele está mesmo baixando atualizações?? Bom, você não precisa ser chato a este ponto, mas tem como descobrir, lendo o arquivo de configuração do freshclam e procurando a linha que informa quantas verificações ele deve fazer por dia (que deve ser limitada a um número de 1 a 50)... O arquivo pode estar no /etc/freshclam.conf ou no /etc/clamav/freshclam.conf, dependendo de sua distribuição. Vamos fazer isso??

cat /etc/clamav/freshclam.conf | grep Checks
Checks 24

Beleza!! O camarada verifica 24 vezes por dia se há atualizações!! É exatamente uma verificação a cada hora. Para minha máquina, isto está muito bom, mas você pode colocar o valor que quiser. Lembre-se de que, mudando o arquivo de configuração, é preciso reiniciar o serviço (como root!!), para que ele leia a nova configuração:

/etc/init.d/clamav-freshclam restart
Stopping ClamAV virus database updater: freshclam.
Starting ClamAV virus database updater: freshclam.

Claro que tudo isso pode ser feito também com as opções de linha de comando do freshclam... sinta-se à vontade!!

  • Finalmente, Limpando o virus!!

É preciso que seu sistema Linux tenha acesso à partição Windows... então, você pode montá-la manualmente, com o comando "mount", ou deixar que o sistema a monte sozinho. Dependendo do seu Kernel e da sua distro, a montagem automática pode acontecer ou não. Suponhamos que sua partição infectada esteja em /mnt/hda1. Para limpar a famigerada, basta digitar, como root:

clamscan -r --remove=yes /mnt/hda1

Bom, o que isso faz??
1- clamscan é o comando do clamav que verifica um arquivo ou diretório contra viri conhecidos.
2- a opção "-r" significa que a verificação deve ser executada recursivamente, ou seja, em todos os diretórios, arquivos, e em cada subdiretório e seus arquivos, até o último nível. Ideal para verificar realmente TUDO da partição!! Vai demorar bastante, mas vale a pena!!
3- --remove=yes instrui que, achando um arquivo infectado, ele deve ser apagado. É preciso digitar isto porque, por padrão, o clamscan gera apenas um relatório mas não mexe em nada. Como a gente quer expurgar mesmo o virus, então vamos mandar apagar logo tudo que está infectado.

Enquanto ele verifica, você pode continuar usando o sistema normalmente. No terminal, o clamscan vai imprimir um por um os arquivos verificados e, ao final, vai gerar um relatório completo sobre o que foi feito.
Bom, espero ter ajudado!! Boa sorte e, claro, use Linux!! Não terá mais problemas com virus novamente!! Ah, e o mais importante de tudo: COMENTE!!! :-)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Como recuperar partição Reiserfs com bad blocks?

Este é um assunto interessante: às vezes, tudo está bem com seu sistema... está tudo configurado, rodando, indo às mil maravilhas!! Porém, ninguém escapa do infortúnio de um defeito físico no disco rígido, não é mesmo?? E ele é como aquelas visitas mensais de sua namorada ou esposa: vem sempre no pior e mais inesperado momento, sem aviso, e te pega num golpe baixo, onde você terá de ser hábil para não por tudo a perder...
Daí você se lembra das recomendações do Pajé descritas neste artigo, e fica tranquilo, pois ainda há luz no fim do túnel!!

  • Do que Trata Este Artigo?

Apesar de ser destinado àqueles que utilizam partições com sistema de arquivos ReiserFS, as recomendações aqui descritas podem ser parcialmente aplicadas a problemas com outras partições.

  • Quais os Sintomas, Doutor?

O computador está trabalhando bem mas, de repente, você obtém uma mensagem de algum aplicativo dizendo que houve erro de entrada e saída (I/O, o famoso Input/output error). Isto pode acontecer a qualquer momento: durante o uso ou mesmo durante a inicialização do sistema.

  • O Que Fazer Agora?

A primeira dica é a mais importante de todas:
  1. Se você está trabalhando, interrompa tudo o que você está fazendo e salve todos os seus trabalhos, desligando o micro em seguida. Se estava apenas utilizando o micro, desligue-o imediatamente. Isto é o mais importante porque evita que você perca seus dados. Erros de Input/output podem provocar que programas inteiros travem e/ou fechem, e você não gostará de se encontrar trabalhando quando, inadivertidamente, tudo travar durante alguns minutos e fechar repentinamente.
  2. Pegue um CD de resgate de sua distribuição. Pode ser um CD do Kurumin, do Ubuntu, do SuSE ou de qualquer outra distribuição que tenha as ferramentas de seu sistema de arquivos (no nosso caso, o ReiserFS), e que seja capaz de iniciar pelo CD, ao menos em modo texto. Acredite se quiser, existem distribuições de Linux especializadas nisto, pequenas o suficiente para iniciar facilmente pelo CD e contendo, todavia, milhares de ferramentas de recuperação. Acredito ser interessante citar o SystemRescueCD.
  3. Se você conseguir, monte a sua partição como somente leitura e faça backup de todos os seus dados pessoais e arquivos de configuração. Só isto já é um alívio! Pode ser para CD, DVD, Pen Drive, Fita, outra partição (se no mesmo disco, desaconselhável...), o que for... mas faça o backup. Não esqueça as tabelas do MySQL, aqueles arquivos que você cisma em colocar no /tmp, apesar de não ser recomendado, e os favoritos do Firefox.

  • Copiando a Partição com o dd
Se a coisa ficou realmente feia e você sente aquele frio na espinha, lembre-se de que você pode criar uma imagem de sua partição, lendo o que for possível, e tentar recuperar depois com as ferramentas do Reiser. Use esta técnica se você notar que a partição defeituosa não monta, mesmo que somente leitura, ou monta mas não lê devido a milhares de erros de leitura. Siga estes passos:
  1. Crie, em outro disco, preferencialmente, outra partição com o mesmo tamanho da partição defeituosa;
  2. Copie bit a bit a partição defeituosa para a recém-criada, com o comando dd abaixo:
# dd if=/dev/hda1 of=/dev/hdb1 bs=4k conv=noerror,sync

Explicando o comando:
if-> partição defeituosa, usada como entrada de dados. No nosso caso, o /dev/hda1 (não é /mnt/hda1!!!!);
of -> partição de destino, preferencialmente em outro HD, já que o primeiro não tem mais a nossa confiança...
bs -> é o tamanho do bloco de leitura do dd ("block size"). Lembre-se de que, quanto menor o tamanho, maior a precisão da leitura, permitindo recuperar mais dados. No entanto, quanto menor o tamanho, mais chances de se esbarrar e setores ruins e mais lenta será a recuperação (experimente bs=1024 e veja que lerdeza não será este procedimento...). Acredito que você deva começar com um tamanho otimista, pequeno, como o sugerido e, se a leitura se tornar insuportavelmente lenta, aumente o tamanho. Você poderá perder mais informações, mas vai pular muito mais setores ruins, fazendo a cópia bem mais rápido. Dica: não seja tão radical aqui. Você vai perder alguma coisa, mas o importante é recuperar a maioria dos dados.
conv -> Estas opções acima foçam que, havendo erro de leitura, o bloco será pulado e, em seu lugar, na partição de destino, será gravado um bloco com bytes zerados. Esta é uma maneira de remediar o irremediável: pula-se o que não será lido mesmo e ganha-se tempo.

Se seus dados são realmente muito importantes e você tem que garantir a cópia fiel do máximo possível deles, custe o que custar, então utilize este comando:

# dd_rescue /dev/hda1 /dev/hdb1

O comando dd_rescue acima é mais eficiente que o dd, nesta conjuntura. Ele lê blocos maiores, de 64kB, porém apenas quando a leitura funciona. Se houver erro de leitura, o bloco gigantesco de 64kB é quebrado em frações mínimas de 512 bytes, onde será lido e gravado o que for possível. Assim, você terá um desempenho maior para setores sem defeitos (64kB vai, a passos largos, mais rápido que 4kB) e, todavia, garante que, nos lugares problemáticos da superfície de seu disco, a leitura tentará ser tão detalhada quanto possível, ainda que tome muito tempo. Uma alternativa mista, ainda, é o dd_rhelp, que roda o dd_rescue várias vezes, procurando balancear entre a perda de tempo e a eficiência de recuperação de dados.

Verifique mais informações:
na página do dd_rescue:
http://www.garloff.de/kurt/linux/ddrescue/
na página do dd_rhelp:
http://www.kalysto.org/utilities/dd_rhelp/index.en.html

  • Recuperando a Partição
E agora, o que temos?? Bom, temos uma imagem da partição defeituosa, feita com alguns problemas durante a cópia, porém escrita sobre um disco de superfície perfeita, intacta, funcional e límpida como a aurora orvalhada da primavera... basta, então, tentar recuperar o possível.

  1. Com a partição desmontada, rode o tradicional: reiserfsck --check /dev/hda1.
  2. Provavelmente não funcionará, mas não se desespere... agora você não tem setores ruins, apenas seus dados não foram bem gravados. Então, vamos pedir ao sistema que reconstrua a sua árvore com a estrutura de seus dados, para poder montar e usar sua partição:
reiserfsck --rebuild-tree /dev/hda1

Como não há setores ruins, as chances de a reconstrução da árvore parar no meio são pequenas. Terminado com sucesso este comando, possivelmente sua nova partição estará saudável e poderá, pelo menos, ser lida para a recuperação dos seus preciosos dados, antes perdidos dentro dela...
Atenção: o rebuild-tree pode demorar para terminar. Nunca o interrompa, a fim de evitar danos à sua partição. Se ele parar com erro, rode-o de novo imediatamente.

(*) Lembre-se de substituir "/dev/hda1" pela partição correspondente!!

  • Casos Omissos

Se desejar ou necessitar recuperar a partição original, a qualquer custo, sem a chance de fazer a cópia descrita acima, então é preciso se gerar uma lista com todos os setores ruins (um arquivo com o número de cada setor ruim, um por linha) e rodar o comando:

reiserfsck --rebuild-tree --badblocks ./file /dev/hda1

Onde ./file é o arquivo com os setores ruins. Este arquivo pode ser gerado automaticamente (vide instruções na referência "dica", abaixo, e no item seguinte) ou manualmente, tentado rodar e repetir o comando a cada novo setor ruim encontrado e acrescentando o novo setor ruim no arquivo (só faça isto em último caso, a não ser que você queira levar semanas nesta operação!!). Se for preciso mesmo, tente gerar este arquivo automaticamente (vide item abaixo). Como esta técnica foge ao escopo deste artigo, incluí uma referência (abaixo) com todas as instruções para a sua realização, a fim de não deixar nenhum caro leitor na mão...

Dicas: tudo sobre como lidar com bad blocks e recuperação de sistemas de arquivos ReiserFS, clique aqui.

  • Outros Comandos
badblocks -o badbk.txt -v /dev/hda1: Verifica blocos ruins em uma partição e os grava no arquivo "badbk.txt". Útil no caso citado anteriormente. A opção "-v" permite ligar o modo verbose, que mostra alguma coisa na tela sobre o progresso da operação, ao invés do cursor piscando monotonamente. O arquivo gerado pode servir de input para várias ferramentas de recuperação de partições. No caso do Reiser, poderá servir para o comando do item anterior (reiserfsck).
Importante: o comando badblocks utiliza, por padrão, o tamanho de bloco de 1024 bytes. Contudo, a maioria das partições contróem blocos, por padrão, de 4096 bytes (4kB), e este é o padrão das partições Reiser. Se você coletar os dados com o tamanho errado, sua ferramenta de recuperação vai recusar o arquivo de blocos ruins gerado. Uma maneira de contornar este problema é informar ao comando badblocks o tamanho esperado de bloco de sua partição defeituosa, com o parâmetro "-b", da seguinte maneira:

badblocks -o badblocks.txt -vs -b 4096 /dev/hda1



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